Nerd – cheguei, voltei, ou parei de negar?

Bom, pra quem me conhece não é complicado entender o título desse post. Minha nerdisse é clara para todos meus amigos, familiares, animais de estimação e para qualquer ser desse pequeno planeta que tenha um sopro de vida, exceto o ser que mais deveria se importar com isso: eu mesmo. Digo, assim é como costumava ser. Fui iluminado essa semana, e resolvi me assumir como tal (nerd – continuo tão hetero quanto eu mesmo). Como achei o caso interessante, resolvi tirar a poeira do blog e relatar. Vai que motivo alguns leitores a criar coragem pra assumir também…

Então.

Tenho notado uma estranha atividade no mundo. Confesso minha péssima habilidade em arranjar mulher, e acrescento aqui que meu grupo de fiéis amigos inclui indivíduos que são tão bons quanto eu nessa misteriosa arte. Quando não se tem paciência para adquirir as técnicas básicas, alguns apelam para uma técnica proibida, para a qual minha trupe foi atraída: Namoradas. Essa raça, que nada mais faz além de prender homens e sugar sua felicidade e energia vital, queima saudáveis amizades enquanto ri com prazer maléfico. Não as culpo, fizeram o que foram criadas para fazer. Não culpo meus amigos também, ficaria tentado também em ter um buraquinho (ou mais) garantido pra me enfiar.
O que quero expressar aqui é que há algumas semanas ando meio sozinho… as pessoas com quem saía de costume andaram se arranjando, logo já não tenho com quem sair. Meus últimos finais de semana têm apenas um cenário, que é o mesmo das minhas noites de sono. Foi aí que eu percebi o quanto que sou restrito com relação à vida social. O quanto dependo de um pequeno grupo.

Feita a primeira constatação, vamos para o acontecido. Eu e a minha fiel mochila fomos pra faculdade na última terça-feira. A temperatura estava agradável, frio o suficiente para colocar calças compridas, mas não o suficiente pra usar nada além de uma camisa de mangas curtas. Cheguei muito mais cedo que de costume, o que me deu muito tempo pra brincar com minha nova aquisição – meu rubik’s cube (a.k.a. cubo mágico). Ao bater o sinal me dirigi à sala, que já estava lotada, deixando apenas um lugar com tomada pra eu ligar meu EEE PC (que comprei exclusivamente pra usar de caderno) – de frente pra porta.

A professora, cuja simpatia conquistei sem muito esforço, pediu apenas pra que eu desse um jeito no fio, para que ninguém tropeçasse. Prontamente, tirei minha fita isolante da mochila, e prendi o fio na parede/chão, utilizando ângulos tão retos e precisos quanto se deve desenhar numa PCB. Ligado o netbook, conectei o modem e abri o conteúdo da aula do dia, para acompanhar de perto o que a professora explicava. E assim procedeu o resto da aula.

Intervalo: mais cubo.

Ao voltar do ‘recreio’, a professora propõe um trabalho em grupo. Como não conhecia ninguém nessa turma, tive que criar coragem e me atirar na selva de pessoas à procura de abrigo. Encontrei um grupo que faz Jornalismo, e um dos integrantes já tinha sido meu colega no primeiro semestre… povo legal. Me senti aliviado. Sinto pavor de trabalhos em grupo, mais por não confiar em ninguém. Sei que sou capaz de fazer tudo, e quase sempre é assim que acontece. Para minha felicidade, dessa vez fui agraciado com boas e competentes pessoas.

O trabalho necessitava a experiência de trabalho de uma das pessoas do grupo. Como meu perfil se encaixava perfeitamente com a tarefa, me voluntariei. Enquanto narrava meu ambiente de trabalho, uma das garotas do grupo olhou pra mim e disse:

“Tu é bem nerd, né?”

Oh Zeus, sempre estive acostumado com essa pergunta. Sempre tinha engatilhada uma dissertação de duas horas sobre o porquê de eu não poder ser considerado nerd. Quando tinha minha língua encostada no céu da boca, pronta pra jogar no ar o  fonema ‘N’, seguido de ‘ÃO’, olhei pro meu cubo (resolvido pela enésima vez no mesmo dia), e tive um insight:

Olha só o conteúdo exclusivo da minha mochila – Cubo, EEE PC, PSP, carregadores, alguns mangás ainda não lidos, dois livros didáticos, cabos, baterias externas, fita isolante, uma caneta,  moedas.

Minha vida social já tá resumida ali em cima, minha coleção de mangás/quadrinhos pesa mais do que eu, tenho 3 videogames, muitos instrumentos musicais. Sou chato pra criticar tudo, sei 36 algarismos de pi (só porque não me preocupei em saber mais), gosto de decorar CEP’s, telefones e números de icq, cronometro e calculo os tempos que faço de carro pra descobrir a trajetória mais eficiente nos meus destinos corriqueiros.  Muita coisa além disso, logicamente, mas é mais fácil de entender que explicar. Ok, eu sou um nerd.

Quando percebi, cortei minha negação ao meio: “nnnn… é. Eu sou mesmo. Além de ser alguém que nega demais”. E ficou por isso… quem sabe eu não tenha tirado um peso das minhas costas. Quem sabe você aí não precisa fazê-lo também. Sabe, não escrevi sobre isso porque faz alguma diferença na vida, muito pelo contrário.  Então pra que se importar com isso?

Edit: Cara, como eu detesto essas backslashes antes de aspas -.-

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Desenvolvendo Habilidades

Ok, finalmente descobri algo que realmente me incomoda. É um problema que fica mais claro em mim, pelo menos… não percebo isso tanto em outras pessoas talvez por não prestar atenção.

Tenho mania de querer saber tudo, aprender demais e ser melhor em tudo. Quem é que não quer ser assim, não? Quero escrever bem, tocar (pelo menos guitarra) bem o suficiente pra convencer que sou bom, desenhar muito bem, ter um conhecimento amplo o suficiente pra não ficar por fora, ou liderar os papinhos entre amigos durante maior parte do tempo. Fazer bem meu trabalho, ser acima da média na faculdade, ser um praticante excepcional de kung fu. Ainda, ser um filho exemplar, um bom cozinheiro, etc. Tem muito mais coisa pra listar aqui, mas essas são as veias principais, que eu mais pesquiso e trabalho em cima.

Não sei… se alguém achou isso pouco, comente aqui. Eu acho muito porque simplesmente não consigo fazer nenhuma delas com perfeição. Em todas as habilidades listadas acima, sou mediano (pra não dizer ruim) em todas. Toco mais ou menos, desenho mais ou menos, trabalho, kung fu etc… não vou listar de novo. Quero fazer coisas demais, e não consigo dedicar tempo suficiente a nenhuma delas. Pra pessoas leigas em nesses assuntos citados, eu consigo superar (e bem) as expectativas. Para pessoas que se especializam em um assunto, eu não sou lá grande coisa. Trocando em miúdos: sei um pouco de tudo e nada de alguma coisa.

Difícil mesmo é escolher algo pra me especializar… gosto tanto de tudo que faço que abandonar qualquer uma dessas atividades seria acertar a cara da minha felicidade com um ferro quente.

Sinto na pele agora o que é envelhecer. Puta merda, só tenho 20 anos e falo em ser velho. Notamos que temos uma vida, e que ela é curta demais pros nossos objetivos. Pelo menos pra mim, que quer ser graduado em todas as áreas (menos biologia, que eu não gosto -.-), quer ser um bom músico, bom artista marcial e bom artista plástico. Com tempo sobrando pra estudar, falta dinheiro pra investir. Em busca do dinheiro para investir, “gastamos” o tempo trabalhando. Nos vemos cercados de luxos inúteis, que sugam o dinheiro, e conseqüentemente o tempo. Pronto. Se não herdamos uma quantia imensurável de dinheiro, estamos prendendo nossa capacidade de fazer bem o que queremos (isso no caso de pessoas polivalentes como eu hahah) o resto da vida.

Semanas passam, meses passam, anos estão passando e não vejo. Desde o fim do ensino médio, me vejo evoluindo como pessoa, em termos de racionalidade. Mas todas as habilidades parecem estagnar. Não evoluo tão rapidamente quanto antes. Isso me deixa decepcionado. Descubro assim que pessoas mais velhas que preferem não aprender coisas novas não estão sendo ignorantes (algumas, não vou generalizar também). Estão simplesmente aceitando o sistema, evitando ocupar o tempo que devem gastar pra poder sobreviver, pra continuar trabalhando. Estudar é perda de tempo, uma vez que tens uma profissão fixa, renda garantida e uma família. Desenvolver-se é inútil. Especializar-se é necessário. Sejamos formigas operárias, focadas em suas tarefas especializadas.

Nesse ponto do texto prefiro parar. Quanto mais escrevo, mais me revolto e menos vejo saída. Nasci no mundo errado, ou nem deveria ter nascido. Mas já que estou vivo, vou continuar contrariando tudo isso. Vou continuar batendo a cabeça na parede, tentando fazer tudo ao mesmo tempo. Vou aproveitar o que me diferencia dos mais velhos, a “falta de maturidade”, a cabeça dura pra gastar toda minha energia tentando ser algo que eu chamo de eu mesmo. Foda-se, posso ser ruim em tudo que faço, mas vou sou bom em ser eu. Morra de raiva, maldito sistema. A minha individualidade tu não vai roubar. Morro sem tempo, mas vou fazer tudo que eu quero.

Dedico esse post pro Giovane do futuro, que quando quiser desistir dos seus objetivos (que é o que tava acontecendo comigo antes de escrever esse texto hauahuhaua), leia esse post aqui e lembre quando ele largar tudo, ele vai deixar de ser bom na única coisa que ele é realmente bom, que é ser persistente, teimoso e cabeça dura. E cara, como eu ADORO isso em mim hahah

Cultura? Onde?

Quero fazer um comentário confuso sobre uma constatação equivocada. Não existem culturas diferentes, tampouco cultura inútil. Toda cultura é útil, não importando seu conteúdo, ou a falta dele. Afinal, como vamos saber como arrumar falhas nos métodos de comunicação, se não notamos sua presença? Como vamos determinar o rumo da produção de cultura da humanidade, baseando-se só em textos compridíssimos de longas pesquisas científicas?

Penso na parte “inútil” da cultura como a porção mais importante. Pensamentos aleatórios, inversões, constatações que nada adicionam à realidade imposta por determinadas regras são o que mostram aquele ângulo obtuso, a resposta do novo, que ainda não veio, ao antigo e conservador, atualizado a cada minuto.

Digo, não pensem em cultura como repartições, e sim como um bloco. Toda regionalização, diferença, pensamento pessoal é contribuição para o inteiro da cultura humana, mesmo que por um período curtíssimo de tempo, que vai ser esquecido (ou não), e não deixa de ser uma reação à influência da regionalização da cultura aplicada sobre esse indivíduo. Como disse Félix Guatarri em sua tese Micropolíticas – Cartografias do Desejo, toda cultura é reacionária. Se existe alguma pessoa fora do bloco cultural, logo ao entrar em contato com ele, sua cultura individualizada não vai deixar de existir, mas vai ser adicionada a esse bloco. Sua adaptação à essa cultura, sua reação e sua produção vão contribuir para a evolução do todo. Portanto, não trato de casos isolados, trato da sociedade na qual estamos inclusos. Afinal, tudo que estiver fora disso, é porque está fora da nossa percepção. Se não sabemos da existência de algo, culturalmente ela não existe.

Finalmente, chego onde eu quero. A Internet. Pensei nesse post depois de ouvir alguns zilhões de comentários sobre “como a internet tem mais cultura inútil que útil”. Particularmente, vejo a internet como uma maravilha cultural. Superficialmente (repito, SUPERFICIALMENTE, quem sabe eu desenvolvo esse raciocínio melhor outro dia) falando, pode ser que a Web seja a causa da total reformulação do Capitalismo, num futuro próximo. Não existem barreiras culturais na internet. Cada um pode dizer e fazer o que quiser, inclusive o que é considerado ilegal. É o lugar onde podemos ver esse bloco correr livre, ver até onde a humanidade chega. O lugar que dá a liberdade de produção, também dá a liberdade de escolha de recepção. Quem diz que “há cultura inútil demais na internet”, ou não sabe o que procura, ou não sabe procurar. Os mecanismos de organização da rede são, por incrível que pareça, muito fáceis de entender. O problema, na hora de buscar conteúdo na rede, não está nela, mas na velha interface cadeira-teclado.

Tento ser um usuário totalmente abrangente da rede, mas isso é tão possível quanto ter todo o conhecimento gerado pela humanidade até hoje. Mesmo assim, observar reações que tantos consideram anti-culturais, que na verdade são exatamente o contrário (pró-culturais), é o mais divertido. Entender a mecânica de uma gramática como o tiopês e os inúmeros posts com humor totalmente desprovido de sentido óbvio e limitação moral do 4chan são a prova de que o humano está descobrindo o caminho para uma evolução mais eficiente. A quebra de velhas barreiras dogmáticas, que só fazem atrasar a cultura.

Se você, leitor, considerou isso que eu escrevi, os conceitos que eu citei uma completa besteira, atingi pelo menos um dos meus objetivos… Fiz vocês reagirem. O fato de tu não voltares mais aqui, não leres mais meu blog, e falar para outros não lerem porque o autor é um péssimo escritor, é uma reação à minha produção de cultura. Querendo ou não, me fazendo entender ou não, eu mudei tua vida.

Espero uma resposta. Gostando ou não, vocês só podem mudar minha vida de uma maneira: Comentando HAHAHAH

boa semana o/