Sob o Céu de Desvendando

pequeno texto feito por mim enquanto o chat da comunidade (em 2084 ainda) estava parado… 

Um rolo de feno passa pelo chão irregular da comunidade, levado por um leve suspiro de vento…
RCRD fixa o olhar em seu adversário. Suas mãos, abertas, e seus músculos, relaxados, à espera da menor reação de seu oponente. Um movimento em falso, e ele morre.
Uma gota de suor, fria, escorre na lateral de sua face. O ruído das engrenagens do relógio na torre principal quebra o silêncio sepulcral da cidade. Todos os habitantes observam o “espetáculo” em suas casas, mudos, presos a um sentimento que funde o medo e a admiração.
No Cyam, atrás do balcão do Saloon, observa apreensivamente o acontecimento enquanto enxuga um copo, pela janela aberta, ao seu lado. Sua magnum 44, carregada, espera apenas a conclusão do duelo, para ser bravamente utilizada, ou para brilhar erguida, sob a luz da vitória, sob a luz do sol que queima o chão da cidade Desvendando.

Como lâmina afiada, um timbre de voz suave corta o silêncio na cidade. O tirano adversário se dirige a RCRD com desprezo:
– Desista. Você e todo esse grupo que se auto-intitula RTZ nunca conseguirão derrubar-nos. Somos a evolução, e vocês, meros vermes.

RCRD, mais sereno que o próprio ser que encontra à sua frente, suspira.
– Não quero sua evolução. Quero minha liberdade.

Uma rajada de vento forte toma o local. O sino do relógio bate. Ao final das doze badaladas, o destino final de Desvendando estará selado.

A cada batida do sino, os músculos dos dois adversários se contraem, tomados pela adrenalina, prontos para dar um fim no duelo. O tempo, mais frio que o sangue que corre nas veias de RCRD, congela. Pássaros bebericando água na praça principal. Cavalos, deitados sob a sombra do estábulo, no feno fresco, e cães comendo os restos de carne jogados fora pelo açougueiro.

A décima segunda badalada. Sereno empunha sua pistola, e dispara três tiros contra o peito de RCRD, que corre em sua direção. Um dos três tiros raspa no ombro do herói. Ignorando a leve queimadura, RCRD continua a correr, até chegar muito próximo de seu adversário, levanta o cano de sua arma, e, ao introduzir o dedo no gatilho, um estampido interrompe sua ação. Sereno, dá seu quarto tiro, e dessa vez, acerta seu alvo.

S., que estava escorado ao lado de uma casa, ali próximo, cansou de esperar. Ao ver a baixa aliada, empunha sua Katana e corta os dois braços do inimigo, empapando sua branca roupa engomada de sangue. No Cyam finaliza o serviço de S., explodindo a cabeça do homem com cabelo de plástico ao disparar-lhe um único e certeiro tiro de sua magnum.
Ana Vissotto, desesperada por ver o amor de sua vida ferido, agradece aos dois, e corre em direção do meio da rua.
Respirando com dificuldade, RCRD se levanta, dá um demorado beijo em Ana, e suspira em seu ouvido um “obrigado”. Ao fazer isso, puxa de dentro de sua camisa, um sticker de girafa, com um projétil, ainda quente, parado ali. Ana Vissotto salvara a vida de RCRD.

Todos os guerreiros aliados RTZ, que estavam de prontidão, e os demais 3000 e poucos habitantes da cidade se levantam, saem de suas casas, e comemoram a vitória sobre um dos principais líderes da facção inimiga.

Armas, computadores, massas encefálicas. Tudo está sendo preparado para o movimento final. A queda do regime VIP.

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Um pensamento sobre “Sob o Céu de Desvendando

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